sábado, 13 de janeiro de 2018

Negritude Solar...










Todos os silêncios recolhidos dentro da palavra, a semear do meu olhar o esquecimento das horas.

Há a sensação vagarosa da vida que não desiste dela mesma.

Há a lembrança da minha gata, a ficar na sombra dos meus olhos, como recado do amor eterno...

Um sorriso sempre me escapava das suas travessuras de gata insolente, que carregava o tempo na preciosidade imprescindível do carinho.

Existia nos seus olhos amarelos todo o movimento do dia, no percurso da dança, na alegria urgente da vida!

Ela com a sua negritude, trazia-me sempre o sol da esperança: o recomeço do meu sorriso...

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chistian Schloe.

  
  

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Às Vezes Tem Dias Assim





               



                Às vezes tem dias assim,


            que nos consomem sem existência...

            Uma sensação profunda de estranheza,

            um esforço em busca de beleza

            que está ao nosso alcance:

            o cheiro da chuva,

            a dança das folhas ao vento,

            o som do mar sobre as pedras em explosão.

            E retorno para o início:

            onde a estranheza, na sua pequenez

                  tornou-se liquida

                                lacrimosa

                                          num sentir

                                               rendido

          pela contemplação da vida

                  na sua beleza maior.



        Às vezes tem dias assim,

        pintados de tristeza...

       Mas, abrindo a janela para a natureza;

       todas as cores iluminam

            um novo sentir,

       refeito de vida que pulsa

                       a música

                                do ritmo

                                     de cada dia...



     Às vezes tem dias assim,

     cansados na rotina;

        pessoas,

        tarefas,

       notícias.

    Mas nunca canso

    de abrir a minha janela à natureza,

   com as minhas asas abertas

                            voar neste sentir,

                                           que me ressuscita.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem do Google

(reedição)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O Rio das Palavras...





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Ah, as palavras! Correm como rio, sem espera... No congestionamento dos sentidos, sempre tem um engasgado com seu uso impróprio. Elas, livrem de intencionalidades malévolas, correm em busca de algum retoque perfeccionista, da sensibilidade da arte de entendê-las, em sua origem genuinamente tocante.

Talvez se falassem, diriam sobre a sua missão de evocar emoção, que no caminho dos gestos, sempre ocorrem facilmente. Mas, em sendo palavras, algo fica distanciado do ato, e mesmo assim, desejam também o mesmo fascínio de emocionar.

Tantas vertentes em seus cursos, as palavras absorvem tonalidades em todas as moradas de sua significação. Seus signos, com simbologias tão ricas, as deixam nuas e desertas, na hora  solitária da inscrição sem ser. Ela só quer Ser, um poema, um texto ou uma carta de antigamente repleta de romantismo em seu próprio e único veiculo de linguagem.  As palavras levavam a fantasia descrita de um rosto sem corpo, sem fala e com todo o magnetismo da sua viagem de letras.

As palavras querem a liberdade de correr no seu rio de mistérios!...



Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Elzbieta Brozek.

(reedição)




                       

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Meu Canto Profundo











O meu canto profundo
Canta um mundo
Quase perfeito,
Quase silencioso.
Um ciclo
Num ritmo
Melodioso,
Às vezes alegre,
Às vezes triste,
No sim,
No não,
Na construção
Fora do padrão
Longe da mesmice,
Muito perto de mim,
Num ponto,
No centro,
Quase invisível,
Quase infinito.

O meu canto profundo
Canta um mundo
Quase pacífico,
Quase feliz.
As palavras transportam
As cores das emoções.
Tudo é dito
Sem o grito,
A liberdade soa 
A verdade nua:
A violência é desnecessária
Enterrada com aprovação.
O meu canto profundo
Pede
Paz
Paz
No mundo,
E em cada coração.


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Poema Reeditado.

Imagem:Do Google.






Meus votos de paz para o mundo e paz em cada coração!

Boas Festas!

Agradeço a todos(as) caros(as) amigos(as) pelo o voo da partilha aqui e no espaço de cada um. E continuemos, mesmo que a navegação neste planeta seja muito complexa, muitas vezes nos deixem sem esperança de dias melhores, mesmo assim, a viagem da vida é plena de beleza no gesto da partilha.

Beijo e Abraço de Paz!

Suzete Brainer.



sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Vozes Amigas nos Muros do Mundo



Imagem relacionada



Vozes amigas nos muros

Do mundo

Destroem as muralhas das

Indiferenças

Petrificadas em paredes

Humanas


Edificam-se gestos nas palavas

                    Ternos mudos passos

São voz tempo sonho

(Nossa voz é só uma)


Corpos anônimos

Carregam matérias vazias

De sentimentos...


        São nadas

São flores plantadas no asfalto


A minha voz encontra

A tua, amiga,

Formando pontes

De amizade

Entre mares e

Céus azuis estrelados

Vestidos de poesia

Em unidade humana


Somos nota do mesmo compasso

                              Verso da mesma letra

Almas unidas entre os espaços


Nas cores em partículas

Sonhadas de um mundo

Sem muros;

Sem olhos tristes de

Solidão cortante...


Todo o sonho tem a cor das pedras caídas

Da luz que entra em vitrais

                                  (Nossa letra é só uma)

Muros?

Em molduras

Arte em movimento

Vozes do mundo

Germinando

Sentimentos

Novos horizontes desenhando

Vidas que se interligam

No universo em movimento


Nascem estrelas no vazio

                     Cometas cruzam os mares

Muralhas quebram-se em pó

O que nos liga é a Palavra

                A voz é só uma, nosso traço


E o que ilumina

A nossa vida

nossos passos.





                                                              Dueto :  Suzete Brainer e Maria João Mendes.  


Poema reeditado (2012)

Imagem: Obra de Christian Schloe.


A minha voz amiga de saudade de ti, Maria!
Grata por esta parceria poética...
Que tu estejas bem com as tuas asas (poéticas) luminosas
em pleno voo de instantes significativos...
Beijinhos, Amiga.



                              

             
              

  
Partilha: Esta foi a minha primeira e única parceria poética. Uma parceria poética com a excelente, inspirada e sensível Poetisa Portuguesa Maria João Mendes. Neste espaço da blogosfera, existe a generosidade da partilha nos espaços de arte: poética, literária e fotográfica. Infelizmente, alguns blogs se encerram. Porém, a arte tem a força expressiva de se eternizar, por isso, partilho novamente este poema dueto.

Beijo e Abraço de Paz!

Suzete Brainer.


                              
              
                    
               

sábado, 25 de novembro de 2017

O dia começa com a tua luz...





Sabes, mãe,
penso em ti
          e,
              ao pensar,
tudo me leva ao amor,
num  rio calmo, sereno,
              feito de lágrimas,
que corre desenhando a minha
                        alma ao encontro da tua.
E uma saudade desfolhada
               de uma tristeza transcendida,
                       translúcida de alegria,
                                 preenche o verdadeiro espaço
                                       da tua presença,
                                               que me diz baixinho:
- Cabeça erguida, filha.
                           Cabeça erguida...
Olho,
         e o sol nasce.
O dia começa com a tua luz!...


   
      


 Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

 Imagem: do Google


 Partilha: Este é um dos primeiros poemas que fiz para minha mãe em 2012.
              Depois, vieram outros poemas e prosas poéticas. Ultimamente, sinto
              uma saudade "galopante" dela... Nada como colo de mãe, quando
              sentimos o peso do mundo nas costas. No caminho por dentro de
              mim, a encontro de braços abertos...     



domingo, 5 de novembro de 2017

O Respirar Frágil da Minha Pátria




Imagem relacionada



 Mundos
     Desmoronam-se
Nas ruas
Das incertezas
Do respirar
   Frágil
Da minha Pátria

Um colar
    Doloroso
De perdas
Incalculáveis
Acumula-se
No calendário das horas...

Olhares de
   Tristeza
Guardam-se
No ponto do medo,
Verticalmente
A passear
Nas calçadas.
E no vazio das madrugadas,
Horizontalmente
   Dormem,
Presos ao desespero!



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chistian Schloe.