sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Palavras que Renascem...





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Ela percorreu uma volta dentro de si, os pensamentos como roda gigante, flutuante na ânsia de transcendência.

E tudo numa permanência de tons cinza, a quebrar o azul do sossego.

Ampliou a respiração como se fora um abraço por dentro de si...

Deixou um espaço a desenhar um voo, pequeno voo do sono, na pesca de sonhos que diminuam o peso concreto da realidade operante, sem folga. A fé no riso lhe diz que a tristeza sempre pode mudar de endereço.

Abriu a janela com a luz de uma lembrança a trazer o seu sorriso, num brilho tão libertador, que as palavras renasceram junto com ela.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Vicente Romero Redondo.


Aviso: Uma Breve pausa e logo eu volto

para o voo da partilha que tanto aprecio!...

Beijo e Abraço de Paz!





terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ana Luz!





Acorda!... Ergue-te!... E vive!... / Wake up!... Get up!... And live!...




Um gesto suave,

gentileza bordando

a presença

       Luz

que fica no nome:

      Ana!


Palavras que desenham

     Amizade

Sem hora marcada

Sem protocolo

Sem acordos na sombra.

Uma

     Luz

No nome:

    Ana!


Dedicado à Ana Freire


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Foto Arte da Ana Freire.


 Querida Ana,

Meu carinho de amizade e o

meu registro da sua Luz-Ser!...

Beijinhos.


Aqui o Blog Da Ana (qualidade padrão Ana, um dos
melhores blogs que eu conheço, um voo inesquecível 
do bom gosto e beleza da arte!...)
http://artandkits.blogspot.com.br/2016/04/waking-up.html





sábado, 17 de setembro de 2016

As Pazes com a Natureza...





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A memória abriu a porta e me levou a um período em que morei numa casa duplex num privê de dez casas, com uma bela área verde de lazer, onde eu gostava de preservar aquele verde com árvores antigas e, na minha casa, muitas plantas. Na varanda do primeiro andar eu tinha vários depósitos para os beija-flores e outros passarinhos (a beber aquela água doce, trocada com o maior carinho e limpeza), de todas as cores e tamanhos a colorir em vida a minha varanda. Eu tinha o meu gato Shan (filhote ainda) que ficava a olhar todos através do vidro da janela do meu quarto. Era o seu vídeo game e, para mim,  um encontro com cada um que tinha nome e sobrenome, dado pelo meu olhar atento e alegre, de me sentir privilegiada com tanta beleza voando para minha casa, como se casa deles fosse.

Existia no privê um grupo de seis meninos; o mais velho, de oito anos,  liderava os menores, na faixa de 7 anos. Estavam naquela fase de agressividade com a natureza, os animais e numa autoafirmação do contra. Eles não gostavam da minha veneração amorosa à natureza.

Um dia fizeram uma "serenata" com música e letra de protesto contra a natureza bem abaixo da minha varanda, com coreografia e tudo, cada um com baleadeira na mão e o líder com o violão, cantavam e todos apontavam as suas armas de matar passarinho para minha varanda:                            
                                             "Vamos acabar com a natureza;
                                             Vamos matar os passarinhos,
                                             Vamos destruir os seus ninhos
                                             E sem mãe natureza.
                                            Fora os passarinhos
                                            Fora os passarinhos
                                            Fora os passarinhos
                                            E sem ninhos...!”

Eu a escutar e morrer de rir, com aquela criatividade rebelde deles. Como eles não sabiam a minha reação, por conta do meu silêncio, falarem de fora: “Ela não fez nada. Não disse nada. Será que ela não está em casa?” Quando resolvi abri a porta,  escutei de longe a gritaria deles: ”Ela abriu a porta e vem em nossa direção!”.

Aproximei-me deles e disse: - Meninos, sentem aqui e vamos conversar!- Eles se aproximaram devagar, e cada um falava uma frase ao mesmo tempo, numa confusão a dissolver o silêncio no breve espaço pacifico... O líder me disse: “Você veio brigar com a gente por nossa música e vai reclamar aos nossos pais pelo nosso comportamento?” E eu com a minha voz calma a lhe dizer que gostaria de dialogar com eles. E, eles a olharem entre si, sentaram perto de mim. Conversamos por varias horas, e falei da criatividade deles com a música, letra e coreografia. Depois a importância de amar a natureza e conviver bem com ela, pois ela nos ensina se tivemos a capacidade de olhar para cada detalhe belo e generoso que ela nos oferece todos os dias...

No final estávamos a observar os passarinhos, da minha varanda, e quando o líder me disse: “ Su, como faço outra música para a natureza, como faço as pazes com ela?” E eu lhe respondi: - Você já fez as pazes com a natureza, a música vai chegar e será muito bela!...-



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Arsen Kurbanov





segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Nossos Olhos, Nossa Casa...





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Estou em ti,
a maestrina da onda que leva
alegria a tatuar o teu sorriso do dia.

Estou em ti,
colada na tua pele em forma de desejo ardente.
Os teus pensamentos percorrem os meus
para o mesmo espaço de existência.

Estou em ti
Sem ausências
Sem distâncias
Sem dúvidas.
Uma completude sem anulação.

A luz dos meus olhos
    atravessa
lugares
    e fica
em todas as horas
no chamamento
   a te evocar.

Nossos olhos,
janelas abertas
da nossa casa.
Neles,
o inicio do fogo que incendeia nossas passagens.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Elzbieta Brozek.




               


sexta-feira, 9 de setembro de 2016

As Uvas do Mar...










Mais um sábado de sol, todos na praia e eu, a única adulta a adorar o banho de mar, para alegria da menina loirinha, com passos de bailarina, a pedir:"Tia, leva eu por o mar!..." Vamos Bru, nós adoramos o mar!!... Ela me dava aquelas mãozinhas para segurar nas minhas e eu acelerava os passos e, depois, a colocava nos braços, correndo, com  as gargalhadas dela fazendo música para todos na praia...

Ficávamos no mar conversando e sorrindo com a poesia que ele construía com suas ondas... Ela, tremendo e pedindo: ”conta mais histórias, Tia” (eu argumentava que ela precisava sair um pouco da água), e ela: “conta mais história, mais...”  Depois de sair do mar, ficávamos ao sol, a aquecer o nosso frio destilado de saudade das ondas amigas, que pertenciam ao mar na sua estrutura de música da vida: ondas alegres que alimentavam a nossa felicidade do dia! A magia do mar que em mim morava, visitava o universo imaginário da minha sobrinha, com as sementes do amor à natureza!...

Um dia ela viu o que chamou de alimentos do mar; algo que parecia um cacho de uvas. Ela disse que eram as uvinhas do mar; comidinha para os peixes, e me pediu: “Tia, joga para longe, no fundo do mar, para os peixinhos comerem e ninguém machucar as uvinhas; não deixar os peixinhos sem sobremesa”. Assim eu fiz, lancei bem longe para que os peixinhos comessem a sua sobremesa.  E eu disse que era Bru que estava enviando a sobremesa, enquanto lançava ao mar, e ela sorria de satisfação!...

Hoje, quando vou ao mar e vejo as uvinhas, lanço ao fundo do mar e penso: Os peixinhos não comeram ainda a sobremesa enviada por Bru... Ela, hoje, talvez nem se lembre de que um dia presenteou os peixinhos com seu carinho, o seu olhar atento à natureza, e a Tia (eu) acompanhado e estimulando este amor sublime que estrutura a sensibilidade humana por dentro, no encanto da bondade genuína.

Atualmente é uma mulher com corpo e postura de bailarina de caixinha de música, suavidade, gentileza, doçura, e ao mesmo tempo independente e dona da sua história (vida).

Separadas entre continentes, continuamos com a nossa ponte de afeto, que nos liga a grandes infinitos de comunhão humana e transcendental.  O amor sempre transcende a distâncias,  tempo e espaços.



Bru,

Beijinhos para ti, desta Tia que te ama sempre!



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chelin Sanjuan.





                         





quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Poesia e Música que Eu Adoro!...





           O que Tinha de Ser


Porque foste na vida a última esperança
Encontrar-te me fez criança
Porque já eras meu sem eu saber
      sequer
Porque és o meu homem e eu tua mulher

Porque tu me chegastes sem me dizer
      que vinhas
E tuas mãos foram minhas, com calma
Porque foste em minh'alma como um
      amanhecer
Porque foste o que tinha de ser

Autores: Antonio Carlos Jobim
                Vinícius de Moraes 




        


   E a estrela maior e sempre da música brasileira,
   adorada, Elis Regina!!  



terça-feira, 6 de setembro de 2016

Recado de Aniversário...





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Ontem, mais um dia, um ano e a tua ausência tão disfarçada de presença... Aquele teu olhar a acolher a todos com a suavidade de um abraço protetor. Sim, mãe, tu abraçavas com o olhar; um olhar de unidade de alma, e como eu viajava na segurança do teu olhar que dizia sempre: - “Estou com você em todos os lugares e situações, a vida não é fácil e nem difícil, a vida é um desafio que precisa do amor para decifrar os caminhos com mais facilidade...”

Quero este teu olhar dentro do meu, a caminhar pela vida nas suas curvas e abismos.

Tenho este teu amor guardado em mim, e tudo levita quando penso na tua filosofia simples de vida, que colhia os mistérios no jardim do silêncio do olhar. O teu silêncio ensinava a dignidade de respeitar as singularidades humanas, numa igualdade fraterna de sentir o mundo!...

À minha mãe, Hilda.
Viva Hilda Brainer!


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alexei Antonov.