quinta-feira, 19 de abril de 2018

Um Vazio a Cobrir Montanhas II




Imagem relacionada


  
A transparência de gestos simples
que fazem
a montanha tão perto do coração.

A condição humana nos rasgos
selvagens,
escurece às vezes o caminho,
mas os passos têm luz própria
neste vazio a cobrir montanhas,
num rastro azul de serenidade.

O infinito se veste em mim,
soprando
a simplicidade dos dias...




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Dorina Costras.



Aviso: No momento estou sem disponibilidade de tempo para                    visitar os blogs amigos, assim que puder, voltarei
            para o voo da partilha que eu tanto aprecio.
           Beijo e Abraço de paz!
           Suzete Brainer.



segunda-feira, 16 de abril de 2018

Poema José de Carlos Drummond







                                 Pernambucano Paulo Diniz (cantor, compositor e poeta)


          José



E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio 
 e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?




 

                  
                    

            Partilha: Este grandioso poema do mestre    poeta Carlos Drummond, foi musicado pelo              "arretado" (como diz na minha terrinha...) e         competente artista  Paulo Diniz. O grande mestre     poeta Drummond disse: "depois que o meu poema foi tão bem musicado, não consigo mais pensar no poema sem música!".  Beijo e Abraço de Paz. Suzete Brainer.

Dedicado ao povo brasileiro!! ( "José!, José, para onde?"...). 


                           















quarta-feira, 11 de abril de 2018

A Casa Sol




Resultado de imagem para imagem de pintura de dorina costras



                                        Uma festa
                                                   Passeia em mim...


                                       No porto
                                                 Dos meus olhos
                                       Alegria                                            
                                                Explode
                                       Em sol


                                     Deixo-me
                                              Correr
                                              Livre
                                    No vento
                                    Dos teus braços
                                            E a casa
                                          Felicidade
                                   Cresce entre nós.


             Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados)
             Imagem: Obra de Angel Moon.


quarta-feira, 4 de abril de 2018

Chocolate Com Pimenta




Resultado de imagem para imagem de pintura de Dorina Costras



Guardo o gosto
do chocolate com pimenta
que aquece a minha pele,
no contato com a minha alma
sem a reserva dos limites impostos.

Guardo este meu brilho de um
sorriso com destino,
a libertar os minutos presos
da rotina do mundo.

Guardo a mim
bem devagar, saboreando
a vida que não tem pressa
de ser!...

E guardo os teus olhos
dentro dos meus,
fogo e abismo
movimento libertário.
Corpo e alma
na veloz
respiração.


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Dorina Costras.

quarta-feira, 28 de março de 2018

A Ciranda na Escola









Era o seu primeiro dia de aula. Uma menina loira, tímida e observadora, ao escutar a voz da professora: “Entre, querida”, percebeu que a sua voz transmitia carinho. Entrou sem hesitação.

Toda a sua resistência para sair de casa tinha diminuído, por não querer deixar as bonecas ausentes da mãe: – ela se sentia mãe das bonecas.   Afinal, aquele local tinha seu encanto; uma professora gentil e algumas crianças assustadas, outras com lágrimas perduradas nos olhos e outras querendo brincar. Uma pegou na sua mão e lhe deu uma boneca sem cabeça. Pensou em recusar. Mas desistiu, e levou a boneca sem cabeça presa ao braço, como fazem as aves com seus filhotes debaixo das asas.

Ao observar uma menina bem triste no canto da sala, resolveu ficar com ela, amparada na sua tristeza de ser invisível para todos. Logo a professora chamou-a para perto e foi quando teve a ideia de levar a menina junto. Fez como a outra menina com ela, também pegou na sua mão e carregou para junto da professora. A diferença, é que não lhe presenteou com uma boneca sem cabeça.

No final, todas as meninas de mãos dadas, numa grande roda, com a professora cantando. Uma alegria contagiante. Como era gentil e alegre a professora! Mas não nasceu para o canto, e a musicalidade inexistente nela, com sua voz estridente e fora do compasso; distribuía carinhos nomeados (a cada criança), selando, assim, a harmonia do encontro.

Agora, deixava que a sua mãe lhe fizesse as tranças no cabelo, sem reclamar. Gostava de ir para escola, ficar naquela ciranda de afetos e brincadeiras. Procurava imaginar a voz estridente da professora, como um pássaro que cantava diferente. E diferente também era o seu amor para com todas as meninas: na sua sala não existia meninas tristes, todas tinham um sorriso que fazia barulhos no lugar das lágrimas perduradas.

Esta professora ficou desenhada no seu livro de colorir o universo, quando ele fica cinza. Ela era um pássaro que cantava diferente. A sua melodia mais importante era o amor que passava para cada menina, como o anel na brincadeira infantil, só que o anel era o Dia no compromisso da alegria de Ser Criança!...


Dedicado a Socorro Honório, minha primeira lição de amor fora de casa.


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Vladimir Vologov.

(Reedição).


terça-feira, 20 de março de 2018

Diz Liberdade à Poesia!




Resultado de imagem para imagem de pintura de alexandrina karadjova


Liberdade:
Escorre no sangue dos poetas,
corre nos olhos dos amantes da poesia
e a palavra desnuda
apaga a opressão.

Poesia:
A beleza genuína espelhada
na liberdade da luz
do corpo do poema.

E o poema na
altivez contra a censura,
nunca se cala,
ressuscita na contramão.





Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Alexandrina Karadjova.


sexta-feira, 16 de março de 2018

A Chuva




Imagem relacionada



Pingos de letras na formação do universo do som... Cada suspiro, uma vírgula de emoção travada na linha das mãos. As palavras são universos próprios de signos a ser decifrado.

Como a chuva, cristais que evaporam no sopro do sol ao vento, as palavras emudecem no silêncio, a esvaziar as horas sem espelho.

O silêncio, a roupa que guarda na pele da alma, o significado essencial das horas...


Esta chuva de equívocos a engolir a palavra a seco, na distorção dos olhos que não sentem. Os olhos que sentem não se enganam com os atalhos do cérebro maquiavelista. Quem é, tem a nudez da alma nos olhos, a registrar a essencialidade da vida!


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Christian Schloe. 






                                       




terça-feira, 6 de março de 2018

Mulheres Voadoras




Resultado de imagem para imagem de pintura de christian schloe





Mulheres,
    somos corpo com asas,
no voo  esperançoso dos séculos,
que nos aprisionaram na covardia
da lenda do sexo frágil.

Somos uma força
     elástica
de inteligência e coração,
a guardar as dores
   do mundo

Somos sempre
    mãos:
Mãos que guiam
Mãos que educam
Mãos que abraçam
Mãos dentro do  
    olhar,
que protege,
com a oração nos
    gestos,
sempre das mãos...

Somos
   Mulheres voadoras,
entre a realidade e o
  sonho,
semeamos na gestação
  da superação!


Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados) 

Imagem: Obra de Christian Schloe.




                                



                       "Por isso, não provoque,
                 é cor de rosa choque!!"  (Rita Lee)

                Mulheres somos todos os dias na luta
                diária dos nossos direitos merecidos!!



quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

A Cor da Poesia




Resultado de imagem para imagem de pintura de christian schloe




Muda,
a poesia cala a palavra,
com a luz
do imaginário da criança,
que explode nos olhos do poeta.

Clara,
nas mãos da criança,
todos os sentidos dançam
na palavra esquecida da
improvável lógica;
e  nasce brincadeira
pescada
no fio do encantamento!...

A cor da poesia
é a criança
soprando no coração do poeta,
o destino das palavras nuas.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chistian  Schloe. 




domingo, 18 de fevereiro de 2018

Desfolhar de Alma...




Resultado de imagem para imagem de pintura de Elzbieta Brozek



Ela, nos lábios, a cor do desejo surpreendido de espaços explosivos e uma ternura maestrina conduzindo a melodia dos olhos, neste encontro milenar em segundos de reconhecimento...

Os gestos na tradução da música dos corpos, envolvidos da pele da alma, a dizer o sim da eternidade!

A emoção é um caminho único, carrega o prazer num alongamento dos sentires, o sorriso se posiciona fácil no espaço da alegria e as mãos dançarinas acompanham na entrega do amor.

Ela, nos olhos, um brilho seu, “de uma cor que ninguém possui” guardou este desfolhar de alma, serenamente e sem prazo de validade.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Andrew Astroshenko.






quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

O Corpo da Poesia




Imagem relacionada



Todos os silêncios cantam
A paz escolhida,
À recusa da fera
De briga inútil.

Silencio até
Ficar muda,
Afastando os barulhos
Que arranham a alma,
Sem dó e piedade.

A serenidade é
Um trabalho árduo
Da arte de dizer
Não
Para violência.

E neste recolhimento
Profundo,
Escuto a poesia
No corpo da minha alma,
Vestindo a minha respiração
Dos dias...






Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Vicente Romero Redondo.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O Esvaziamento das Mãos




Imagem relacionada



Um esvaziamento na sombra das palavras,
num peso por dentro
a não dar sentido de nada.

As setas caíram num abismo
sem nenhuma certeza...

E este olhar                
atravessa
as paredes do vago
                          mundo
que corre
           os sonhos
das mãos.

Existe uma porta
que não fecha,
um brilho bem no centro
dos olhos                                                   
que guardam os
sonhos,
bordados neste vazio das mãos.

Quando tudo
Parece vazio,
talvez
seja o momento
de construir
um sonho guardado!




Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: obra de Dorina Costras.




                     


terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Grande Poema - Augusto Dos Anjos -





       Vandalismo


   Meu coração tem catedrais imensas,
    Templos de priscas e longínquas datas,
    Onde um nume de amor, em serenatas,
    Canta a aleluia virginal das crenças.

    Na ogiva fúlgida e nas colunatas
    Vertem lustrais irradiações intensas
    Cintilações de lâmpadas suspensas
    E as ametistas e os florões e as pratas.

    Como os velhos Templários medievais
    Entrei um dia nessas catedrais
    E nesses templos claros e risonhos...

    E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
    No desespero dos iconoclastas
    Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!


Autor: Augusto Dos Anjos.

Livro: Eu E Outras Poesias. 








sábado, 20 de janeiro de 2018

Incorporados de Asa









Navego no teu ar e no 
teu pedido das minhas palavras
na tua boca.
Fica na altura do céu a doçura
dos meus olhos, mergulhados nos teus.

Os meus passos seguidos dos teus,
no rastro que nos arrebata,
na sede de nossas fontes,

Afogados em nossos desejos,
no recanto da nossa casa,
ficamos nus:
incorporados de asas,
livres no voo do som!


Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Roberto Ferri.


sábado, 13 de janeiro de 2018

Negritude Solar...










Todos os silêncios recolhidos dentro da palavra, a semear do meu olhar o esquecimento das horas.

Há a sensação vagarosa da vida que não desiste dela mesma.

Há a lembrança da minha gata, a ficar na sombra dos meus olhos, como recado do amor eterno...

Um sorriso sempre me escapava das suas travessuras de gata insolente, que carregava o tempo na preciosidade imprescindível do carinho.

Existia nos seus olhos amarelos todo o movimento do dia, no percurso da dança, na alegria urgente da vida!

Ela com a sua negritude, trazia-me sempre o sol da esperança: o recomeço do meu sorriso...

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Chistian Schloe.

  
  

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Às Vezes Tem Dias Assim





               



                Às vezes tem dias assim,


            que nos consomem sem existência...

            Uma sensação profunda de estranheza,

            um esforço em busca de beleza

            que está ao nosso alcance:

            o cheiro da chuva,

            a dança das folhas ao vento,

            o som do mar sobre as pedras em explosão.

            E retorno para o início:

            onde a estranheza, na sua pequenez

                  tornou-se liquida

                                lacrimosa

                                          num sentir

                                               rendido

          pela contemplação da vida

                  na sua beleza maior.



        Às vezes tem dias assim,

        pintados de tristeza...

       Mas, abrindo a janela para a natureza;

       todas as cores iluminam

            um novo sentir,

       refeito de vida que pulsa

                       a música

                                do ritmo

                                     de cada dia...



     Às vezes tem dias assim,

     cansados na rotina;

        pessoas,

        tarefas,

       notícias.

    Mas nunca canso

    de abrir a minha janela à natureza,

   com as minhas asas abertas

                            voar neste sentir,

                                           que me ressuscita.



Suzete Brainer (Direitos autorais registrados)

Imagem do Google

(reedição)

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O Rio das Palavras...





Resultado de imagem para imagem de pinturas elzbieta brozek






Ah, as palavras! Correm como rio, sem espera... No congestionamento dos sentidos, sempre tem um engasgado com seu uso impróprio. Elas, livrem de intencionalidades malévolas, correm em busca de algum retoque perfeccionista, da sensibilidade da arte de entendê-las, em sua origem genuinamente tocante.

Talvez se falassem, diriam sobre a sua missão de evocar emoção, que no caminho dos gestos, sempre ocorrem facilmente. Mas, em sendo palavras, algo fica distanciado do ato, e mesmo assim, desejam também o mesmo fascínio de emocionar.

Tantas vertentes em seus cursos, as palavras absorvem tonalidades em todas as moradas de sua significação. Seus signos, com simbologias tão ricas, as deixam nuas e desertas, na hora  solitária da inscrição sem ser. Ela só quer Ser, um poema, um texto ou uma carta de antigamente repleta de romantismo em seu próprio e único veiculo de linguagem.  As palavras levavam a fantasia descrita de um rosto sem corpo, sem fala e com todo o magnetismo da sua viagem de letras.

As palavras querem a liberdade de correr no seu rio de mistérios!...



Suzete Brainer  (Direitos autorais registrados)

Imagem: Obra de Elzbieta Brozek.

(reedição)